Finlândia e Estônia se destacam por modelos educacionais estáveis e integrados ao século XXI
Finlândia e Estônia são nomes carimbados quando o assunto é excelência nos rankings internacionais de educação, como o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), realizado pela OCDE. No entanto, o cenário atualizou-se com o PISA 2022: a Estônia consolidou-se como a melhor educação da Europa, liderando o continente em matemática, leitura e ciências. Já a Finlândia, apesar de enfrentar uma queda nas notas de matemática, mantém-se acima da média da OCDE e destacou-se como um dos líderes globais na avaliação inédita de “Pensamento Criativo”.
Esses resultados não são fruto de sorte, mas de modelos sustentados por políticas públicas consistentes, valorização real do professor e, no caso estoniano, uma digitalização que blinda o sistema contra crises. Para o Brasil, que busca caminhos para aprimorar seu ensino, olhar para o Báltico e para os Nórdicos oferece lições de como transformar desafios em oportunidades.
AUTONOMIA E PRESTÍGIO: O SEGREDO FINLANDÊS
Na Finlândia, a docência não é apenas um emprego, é uma das carreiras mais prestigiadas da sociedade. Para atuar na educação básica, a exigência de mestrado continua sendo a regra, e a remuneração reflete esse status.
- Salários competitivos: Dados recentes do Education at a Glance 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontam que os salários estatutários de professores na Finlândia variam, em média, entre US$ 42.000 e US$ 49.000 anuais dependendo do nível de ensino, mantendo-se competitivos em relação a outras carreiras com mesmo nível de formação.
- Foco na criatividade: Enquanto muitos países focam apenas em testes, a Finlândia brilha na formação humana. No PISA 2022, os alunos finlandeses ficaram entre os melhores do mundo em pensamento criativo, provando que o sistema foca na capacidade do aluno de gerar ideias originais e resolver problemas complexos, e não apenas memorizar fórmulas.
ESTÔNIA: A SALA DE AULA DIGITAL
Se a Finlândia é referência em tradição pedagógica, a Estônia é a vitrine do futuro digital. Mas o segredo dessa liderança no PISA não é apenas infraestrutura, e sim a adoção massiva de ferramentas de gestão que moldaram a rotina escolar muito antes de qualquer crise.
- Cultura digital consolidada: A Estônia digitalizou a relação entre escola e família ainda em 2002, com o lançamento do eKool, seguido pelo moderno Stuudium. Essas plataformas funcionam como diários de classe online, onde notas, lições de casa e presenças são atualizadas em tempo real. Somam-se a elas o Opiq, que levou os materiais didáticos e livros inteiros para a nuvem;
- Com 99% das escolas já habituadas a esse ambiente online e professores com alta autonomia para gerir suas aulas digitais, a adaptação a momentos adversos — como foi necessário na pandemia — ocorreu como uma extensão natural do dia a dia, garantindo um aprendizado sem interrupções. Todo esse ecossistema, suportado pela segurança da infraestrutura nacional (X-Road), impulsiona o que o PISA 2022 chamou de ‘mentalidade de crescimento’: alunos autônomos que acreditam na própria evolução.”
O PISA 2022 também destacou que os alunos estonianos possuem uma forte “mentalidade de crescimento” (growth mindset), acreditando que podem melhorar sua inteligência através do esforço; uma característica impulsionada por um sistema que incentiva a autonomia digital.
ESTABILIDADE É A CHAVE
O traço comum entre os dois vizinhos é a estabilidade. Na Finlândia, o investimento em educação gira em torno de 6% do PIB, garantindo que mudanças de governo não cortem recursos essenciais. Na Estônia, a estratégia digital é uma política de Estado desde 2001. Para o Brasil, a lição é clara: a tecnologia não é mágica, mas uma ferramenta que, aliada à valorização do professor e à continuidade das políticas públicas, pode levar a educação ao topo do mundo.


